segunda-feira, 21 de novembro de 2011

A história do Brigadeiro

brigadeiro-mordido
O Brigadeiro foi inventado no Brasil depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Naquele tempo, era muito difícil conseguir leite fresco e açúcar para se fazer receitas de doces. Aí, descobriram que a mistura de leite condensado e chocolate resultava em um docinho bem gostoso.
Ainda faltava dar um nome para o novo doce.
Na mesma época, aconteciam as eleições para presidente do Brasil, e um dos candidatos era o Brigadeiro Eduardo Gomes. Na campanha, ele utilizava uma propaganda engraçada, que ficou na boca do povo: “Vote no Brigadeiro que é bonito e solteiro”. Suas eleitoras batizaram o doce em homenagem ao candidato.

As mulheres que trabalhavam na campanha, em vez do “santinho” tradicional do candidato, distribuíam o docinho para ganhar votos.
Com o tempo, o brigadeiro foi ficando cada vez melhor. Para enfeitá-lo e deixá-lo mais saboroso, foi inventado o chocolate granulado.
Depois, outra receitas foram criadas a partir da original.
Em outros países nosso brigadeiro é conhecido como “trufa brasileira”.
Receita de Brigadeiro:

Ingredientes:
  • 1 lata de leite condensado
  • 1 colher de sopa de margarina 
  • 4 colheres de sopa de chocolate em pó
  • Chocolate granulado para fazer bolinhas


Modo de Preparo:
  1. Coloque em uma panela funda o leite condensado, a margarina e o chocolate em pó
  2. Cozinhe em fogo médio e mexa sem parar com uma colher de pau
  3. Cozinhe até que o brigadeiro comece a desgrudar da panela
  4. Deixe esfriar bem, então unte as mãos com margarina, faça as bolinhas e envolva-as em chocolate granulado

    Fonte: http://www.brasilcultura.com.br/culinaria-brasileira/historia-do-brigadeiro-receita/

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Origem do Parabéns pra você e suas variadas versões


A melodia de Parabéns pra você tem origem na canção Good Morning to All (Bom Dia a Todos) de Preston Ware Orem publicada em 1893 e oficialmente registrada em 1935 pela Summy Company, empresa para a qual Orem compôs a canção.

No Brasil, a rádio Tupi, do Rio de Janeiro, organizou em 1942 um concurso para escolher uma letra que casasse com a melodia de Happy Birthday To You (Feliz aniversário para você). A vencedora foi a paulista Bertha Celeste Homem de Mello que, até sua morte, em 99, fazia questão de que as pessoas cantassem a letra do jeito que ela escreveu: Parabéns a você / Nesta data querida / Muita felicidade / Muitos anos de vida.
Claro que ao longo do tempo, os brasileiros - sempre muito criativos, foram fazendo suas adaptações da canção. E cada região do Brasil tem suas peculiaridades e complementos.

Nos Estados do Sudeste e Centro-oeste eles costumam pluralizar a frase Muitas Felicidades. Além disso, ainda colocam o famoso É pique, é pique! para acompanhar a canção. Ficando assim:

Parabéns pra você
Nesta data querida
Muitas felicidades
Muitos anos de vida!
Parabéns pra você
Nesta data querida
Muitas felicidades
Muitos anos de vida!

É pique! É pique! É pique, é pique, é pique!
É hora! É hora! É hora, é hora, é hora!
Rá-tim-bum!
"Fulano"! "Fulano"! "Fulano"!
Nos Estados do norte eles têm os mesmo hábitos dos seus irmãos mais ao sul. Já no nordeste existem algumas variações de acordo com os Estados. Na Bahia, por exemplo, além do É pique, é pique! Eles ainda continuam cantando outras cantigas e fica assim:
Chegou a hora de apagar a velinha
Vamos cantar aquela musiquinha
Parabéns pra você
Parabéns pra você pelo seu aniversário
Que Deus lhe dê muita saúde e paz
E que os anjos digam amém
Parabéns pra você
Parabéns pra você pelo seu aniversário.
Ainda lá em cima, os cearenses costumam agregar no final da canção os versos:
Que Jesus abençoe
Essa nossa oração
Que Maria te guarde
Dentro do coração
Descendo vamos para o Sul. Chegando no Rio Grande do Sul, eles praticamente modificam totalmente a canção original de Bertha, dando um estilo só deles as cantigas dos festejos:
Parabéns, parabéns
Saúde e felicidade
Que tu colhas sempre todo dia
paz e alegria na lavoura da amizade

Que o Patrão Velho te conceda
Em sua benevolência,
Muitas e muitas campereadas
No potreiro da existência

Parabéns a você
Nesta data querida
Muitas felicidades
Muitos anos de vida!

Hoje é dia de festa
Cantam as nossas almas
Para Fulano ...
Uma salva de palmas!!!!!

Parabéns, parabéns
É minh'alma quem diz!
Deus te ampare e proteja
E te faça feliz!

Fonte: http://www.profissaojornalista.com/2009/04/de-onde-veio-o-parabens-pra-voce.html 

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Algumas expressões populares brasileiras

Há aquelas frases e expressões antigas, “do tempo do onça”, que, por mais que passem as gerações, sempre são usadas em diversas situações. Elas têm o seu sentido garantido e intacto, mas suas origens são tão distantes que nem sabemos direito de onde elas surgiram.

- Do tempo da onça


Significado: A frase é usada quando nos referimos a um tempo ou práticas antigas e datadas.
A expressão é associada ao Sargento-Mor José Correia da Silva, chefe do policiamento militar no Recife (de 1787-1811), cujo apelido era Onça, por causa de sua coragem e comportamento violento. O apelido e a expressão também são associados ao governador do Rio de Janeiro Luís Vahia Monteiro, no período de 1725 a 1732. Este teria escrito ao rei D. João VI “Nesta terra todos roubam. Só eu não roubo”. 

- Andar à toa

Significado: Andar sem destino, sem propósito, a esmo.
Aqui o mais interessante é descobrir o significado da palavra “toa”? O que é isso? Toa é o cabo de reboque de embarcação. Um barco à toa não tem leme nem rumo, ambos determinados pela corda que a prende ao navio condutor.

- Outros quinhentos

Significado: O sentido dado é algo como “uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa”.
“Ah, isso já são outros quinhentos...” Essa frase é tão comum que parece uma gíria atual, mas sua origem conta mais de 500 anos... No século 13, na Península Ibérica, os fidalgos da elite que tivessem sofrido alguma injúria poderiam exigir a reparação do agressor em 500 soldos. Quem não pertencesse a essa hierarquia, deveria pedir apenas 300 soldos. Se houvesse uma nova agressão ou insulto verbal, uma nova multa deveria ser cobrada. Ou seja: outros quinhentos. 


Fonte: http://www.bibliotecavirtual.sp.gov.br/especial/201010-ditospopulares.php (adaptado)

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Dia de Finados

Imagem cedida pela Agência Brasil
Crédito: Roosevel Pinheiro/ABr
Para milhões de católicos espalhados pelo mundo o Dia de Finados é o dia da celebração da vida eterna das pessoas queridas que já faleceram. Enquanto o Dia de Todos os Santos (1º de novembro) celebra todos os que morreram em estado de graça e não foram canonizados, o Dia de Finados celebra todos os que morreram e não são lembrados na oração do Dia de Todos os Santos.

Durante muito tempo os cristãos não se relacionavam com os mortos. Eles acreditavam que a ressurreição do corpo aconteceria apenas no dia de juízo final para toda a humanidade e rejeitavam qualquer doutrina que implicasse em imortalidade da alma. Com a fusão da Igreja cristã ao Estado romano, os cristãos acabaram por adotar alguns costumes e crenças de vários povos, entre eles o de rezar e se comunicar com os seus antepassados mortos junto aos túmulos.
Os crisâtemos são as flores que os brasileiros preferem 

para homenagear seus entes queridos.
Essas flores representam o sol e a chuva, 
a vida e a morte e podem ser amarelas, brancas ou vermelhas. 
Um vaso de crisântemos custa em torno de R$ 10.

O Dia de Finados foi instituído mesmo no século 10, por Santo Odílio, abade beneditino de Cluny, na França, para os mosteiros de sua ordem especificamente, até que, no século 11 a igreja católica universalizou a data, através dos papas Silvestre II, João XVIII e Leão IX, que obrigaram a comunidade a dedicar um dia por ano aos mortos. Já a data 2 de novembro foi institucionalizada a partir do século 13.
No Brasil e na grande maioria dos países, a celebração de Finados tem início na semana anterior, quando as pessoas vão até os cemitérios limpar as sepulturas. No Dia de Finados, também conhecido como Dia dos Mortos, as pessoas vão aos cemitérios levar flores, acender velas e rezar pelos seus entes queridos que já faleceram. Alguns também mandam rezar missas em nome dos falecidos. 
Apesar do significado de celebrar a vida eterna em outro plano, o Dia de Finados não deixa de ter um tom melancólico - afinal, muitos voltam a sentir a dor da perda de seus entes queridos e a saudade com a distância.



A vela

Para os católicos, dizer que quando uma pessoa morre tudo acabou não é verdade. Os católicos crêem que o testemunho de vida daquele que morreu fica como luz acesa no coração de quem continua a peregrinação. Para tanto, eles acendem velas no Dia de Finados, buscando celebrar e perpetuar a luz do falecido.


Imagem cedida pela Agência Brasil
Crédito:Valter Campanato/ABr

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Viva México! Viva México! Viva México!

Chega a ser lugar comum dizer que sob este brado milhares de pessoas comemorarão hoje o Bicentenário da Independência Mexicana.

A Academia de Língua Portuguesa deseja felicitar a todos mexicanos e estrangeiros que aqui vivem por esta data tão importante para o civismo do país.

Comemoraremos este marco histórico falando um pouco das palavras que fazem parte do contexto comunicativo da celebração.

Como sabemos na madrugada do dia 16 de setembro de 1810 o padre Miguel Hidalgo y Costilla decide dar inicio à revolução pela independência do país logo após receber o aviso enviado pela corregedora ou ouvidora* Josefa Ortiz de Domínguez que a conspiração havia sido descoberta e que era necessário iniciar a luta. Depois de libertar os prisioneiros da cadeia, Hidalgo acompanhado de Ignacio Allende e Juan Aldama fez soar o sino no átrio da igreja de Dolores para convocar aos cidadãos a se levantarem contra o mau governo. Por isso se diz que a atual cidade de Dolores é o berço da Independência. Logo do episódio conhecido como Grito de Dolores, a tropa reunida pelo padre Hidalgo segue para Atotonilco e toma o estandarte da Virgem de Guadalupe como símbolo do exército independentista.

O resto da história também é bem conhecido :11 anos e 11 dias de luta armada que culminou na independência do país e numa série de mudanças sociais.

Que o sentimento de felicidade que vivemos hoje pela soberania alcançada há duzentos anos esteja sempre presente em todos os momentos da vida daqueles que de alguma maneira estão relacionados a esta nação maravilhosa.

Viva México! Viva México! Viva México!


Nota
*No Império Português corregedor era o magistrado responsável pela aplicação da justica nas terras ligadas à coroa. No Brasil Colonial esta função correspondia ao ouvidor. Por isso, as duas palavras, corregedor e ouvidor, podem ser usadas, neste caso, como sinônimos.







terça-feira, 7 de setembro de 2010

A Independência do Brasil

No dia 07 de Setembro comemoramos a Independência do Brasil e neste ano do Bicentenário da Independência Mexicana não podemos deixar de fazer um paralelo sobre os eventos que aconteceram nos dois países.

Primeiramente, é necessário dizer que a independência do Brasil ocorreu em circunstâncias totalmente distintas daquelas vividas pelo México.

Com a transferência da família real portuguesa para o Brasil, o país ascendeu à posição de metrópole. Inclusive foi justamente a manutenção deste estatus que determinou o processo de independência pois a elite brasileira não desejava retornar à condição de colônia. Por isso, quando o rei D. Joao VI ordenou que seu filho retornasse a Portugal o jovem príncipe regente encontrou ao mesmo tempo pressão e apoio de pessoas influentes para que rompesse com a coroa portuguesa e ficasse no Brasil, ocasionando assim, a independência do país e o tranformando consequentemente num império independente.

Ao contrário do México, o Brasil teve uma guerra de independência muito curta e de pequenas proporções pois a resistência portuguesa ocorreu em apenas quatro províncias. O processo que se iniciara formalmente em 1822 se concluiria totalmente em 1823.

De maneira geral podemos dizer que um único detalhe aproxima os eventos da independência nos dois países. No Brasil também houve um grito: “Independência ou Morte” dito pelo então Príncipe Regente Pedro I, quem se tornaria o Imperador D. Pedro I. Mas é preciso dizer que o grito do padre Hidalgo é muito mais repetido que o do regente. Aliás, no Brasil, a comemoração pela independência se resume a desfiles militares e pronunciamentos das autoridades, mas nenhuma delas reproduz o gesto de D. Pedro I às margens do Ipiranga, por exemplo.

Enfim, as duas nações celebram a seu modo a conquista de sua soberania e não há dúvidas que as datas possuem igual importância em ambos países.


Viva Brasil e Viva México!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O México de Érico Veríssimo

"Vamos ao México?

Atirei a pergunta ao chegar em casa naquele anoitecer de abril. Era em Washington e as cerejeiras estavam floridas à beira do Potomac. Minha mulher, que lia o Evening Star, ergueu a cabeça e pousou em mim os olhos azuis.
-México? - repetiu ela com ar vago. E tornou a baixar a cabeça, o olhar e a atenção para o jornal." (p. 11)
 
Em 1957 o escritor Érico Veríssimo publicou a narrativa da viagem que realizou com a esposa ao México.

O texto nos apresenta o país desde o ponto de vista de um homem que viveu as dificuldades da crise financeira de 1930 e da ditadura de Getúlio Vargas no Brasil e que antes de se consagrar como escritor trabalhou como assistente de redação e tradutor.

Aquele México, que Veríssimo nos descreveu não existe mais na sua totalidade. Em termos de infraestrutura o país se modernizou e muitas das inquietudes que assolavam os viajantes simplesmente desapareceram. Mas Veríssimo foi sensível ao captar a essência do mexicano, se identificou com os nacionais e se sentia pai e irmão daqueles com quem interagiu aqui. Conversou com intelectuais como José de Vasconcelos e populares e pelo que descreve podemos concluir que pouco mudou. Ainda bem, porque Veríssimo se alegraria de rever seus hermanitos tal como os deixou há mais de cinquenta anos.

A leitura da obra nos convida a todos a uma reflexão sobre o país. O brasileiro que vive aqui pode refazer os passos de seu conterrâneo e os mexicanos podem observar o olhar atento de um estrangeiro que teve a oportunidade única de ser contemporâneo e amigo íntimo de muitos ícones da cultura nacional.

O livro é, em última instância um relato apaixonado sobre o país que recebe a todos com gentileza e cortesia. Não é novidade que a admiração entre o Brasil e o México é mútua, mas o encantamento ficará imortalizado nas palavras de Veríssimo:

"Quantos anos precisarei para digerir o México? Quantas vidas devia viver para compreendê-lo? Mas um consolo me resta e basta. Não preciso nem de mais um minuto para amá-lo" (p. 298)

Referência
Veríssimo, E. (1957) México - Editora Globo 11a. Edição. São Paulo. Brasil

Um trecho do livro em http://ufpel.tche.br/~felipezs/html/mexico2.html
Mais sobre Érico Veríssimo em http://www.releituras.com/everissimo_bio.asp